quarta-feira, 31 de julho de 2019

DIRETO DA ESTRADA - Nos confins da Terra (NOVA ZELÂNDIA)


Caros viajantes!

Já faz cerca de 1 mês que voltei ao Brasil, depois de uma jornada de 8 meses morando, trabalhando e viajando na Nova Zelândia! Porém, diferente do que eu pensava que seria, estou tendo bem pouco tempo livre por aqui... E por isso que este último artigo "Direto de Estrada" sobre a NZ - o único que escrevi não estando lá - demorou pra sair!
Como eu expliquei anteriormente, sim, haveria muito conteúdo pra mais posts do mesmo tipo sobre o país, mas além de não querer que o blog fique muito repetitivo, futuramente eu vou usar esse material em artigos de outras seções!

Hoje vou falar da última road trip que fiz por lá, por um dos lugares mais distantes e intocados da Terra: a impressionante West Coast, na Ilha Sul! 😃

O azul surreal das Blue Pools, na West Coast 😍
O slogan turístico dessa vasta região é "Untamed Natural Wilderness" (algo como "natureza selvagem indomada"), e ele realmente dá uma boa ideia do que se encontra por lá!

Trata-se da área menos habitada e uma das mais "fora de mão" de um país que já é extremamente isolado do resto do mundo, e que apesar do nome, não tem nada a ver com a "AKL West Coast" - que já foi tema de outro artigo aqui no CM e consiste num pequeno trecho do litoral de Auckland (a maior cidade da NZ), na Ilha Norte.

Viajando pela West Coast, eu cheguei a dirigir cerca de 50km sem cruzar com um único carro (!!), só sendo acompanhado pelas paisagens espetaculares das estradas neozelandesas 😃
Devo dizer: ir pra West Coast da Nova Zelândia é "pros fortes"... Praticamente ninguém mora lá, não há sinal de celular em quase nenhum lugar e estar bem preparado é VITAL! O maior motivo é o clima muito severo e completamente imprevisível: é verdade que o tempo é maluco em toda a NZ, mas a costa oeste da Ilha Sul é especialmente castigada por desastres naturais como inundações, deslizamentos de terra, avalanches e ventos fortíssimos - tanto é que eu ia pra lá em abril, quando estava me mudando de Christchurch pra Queenstown, mas na última hora tive que alterar todos os meus planos porque uma ponte da ÚNICA estrada que atravessa a West Coast havia sido simplesmente levada pelo rio, durante uma enchente de proporções épicas! 😮

A geleira Franz Josef fotografada com segundos de diferença: a "cara" dela muda a todo momento, por causa do clima absurdamente instável da West Coast!
A ponte destruída foi um enorme transtorno para os poucos habitantes e turistas que passavam ou passariam por lá, já que as porções norte e sul da região ficaram sem comunicação; pra ir de uma à outra, de repente passou a ser necessário fazer uma volta de mais de MIL quilômetros por dentro da ilha! Pelo menos, pra mim isso acabou sendo bom, já que à época eu substituí essa viagem por outra que acabou sendo o ápice da Ilha Sul: a sensacional região do Mount Cook! 😀
Felizmente, a situação foi resolvida após algumas semanas, e então, depois de 2 meses morando em Queenstown, era hora de começar a extensa jornada de volta pra casa: meu 1º voo do caminho para o Brasil saía de Christchurch, mas eu tinha que chegar lá pelo menos 1 semana antes pra ter mais chance de vender meu carro e outras coisas, além de que ainda queria visitar um último lugar naquela região; assim, em vez de fazer o mais óbvio, que seria o way back pela mesma estrada que passa pela região do Mt. Cook, eu dei a volta "por fora", cortando toda a West Coast!

Confesso: apesar da parte boa, talvez pela 1ª vez na vida eu tive bastante receio de fazer uma viagem. O caminho era longo (cerca de 800km), já era praticamente inverno, havia trechos com chuva e gelo na pista (como esse da foto, ainda bem perto de Queenstown), eu estava totalmente sozinho e só passando por lugares inóspitos... Ainda mais depois do susto em Arthur's Pass, era inevitável pensar: e se acontecesse alguma coisa, justamente faltando tão pouco pra voltar pra casa?! 😓
O 1º trecho da viagem foi relativamente curto e já era conhecido: a estrada Crown Range (vide a foto anterior), entre Queenstown e Wanaka. Parei nessa cidade pra almoçar e visitar um lugar curioso que um amigo havia recomendado, e que eu não tinha ido na 1ª vez que passei por lá porque nem sabia da sua existência: o Puzzling World!
Trata-se duma divertida casa de ilusões de ótica, cheia de ambientes, quadros, esculturas e outras coisas que dão um nó no cérebro - como essa sala que parece normal, mas que foi construída dum jeito que conforme as pessoas andam de um lado pro outro, os seus tamanhos ficam distorcidos; aqui, eu fotografei um pai que estava com suas duas filhas crianças (e obviamente era muito mais alto que elas), mas olha só como eles ficam dentro da sala! 😵
Há 4 (e não 2) palavras nesses quadros... Você consegue enxergar todas?? 😀
O Lake Wanaka, na cidade de mesmo nome, é a porta de entrada da West Coast pra quem, como eu, viaja no sentido sul-norte
E a imensidão vazia da West Coast começa a se mostrar no lindo Lake Hawea, logo depois de Wanaka...
1ª trilha da viagem (e enésima na NZ): Blue Pools Walk...
... Que é uma caminhada floresta adentro, até encontrar com essas piscinas naturais inacreditáveis...
... Formadas pela água cristalina do Rio Makarora! 😍
Como de praxe na NZ, acabei gastando mais tempo do que o planejado nas paradas programadas pro dia, e ao sair das Blue Pools, dirigi por mais 2h30, sendo só 1h com luz natural. Por conta dos perigos que mencionei, eu queria evitar dirigir à noite, mas simplesmente não havia opção: eu já estava no meio da "wilderness", muito longe de qualquer lugar minimamente movimentado, em qualquer direção! Então, com a atenção redobrada, segui viagem até Glacier Fox - cruzando com, no máximo, 10 veículos ao longo dos 200km de percurso... Deu até medo! 😳

Sem tempo de fazer mais nada nesse dia, dormi por lá e deixei pra conhecer a região da geleira Fox na manhã seguinte. Porém, eu já tinha lido que, ainda como consequência das chuvas torrenciais de abril (as mesmas que levaram a ponte embora), quase todas as trilhas de Glacier Fox estavam fechadas por causa dos danos! Eu até comecei a fazer a única que estava aberta (e que nem era a mais legal), mas logo vi uma série de alertas de segurança e, pra completar, não parava de chover. Concluí que simplesmente não valia a pena o risco e o perrengue, então voltei pro carro e segui viagem pra próxima geleira: Franz Josef!

Aqui, o tempo continuava ruim, mas pelo menos as principais trilhas estavam abertas! Comecei fazendo a curta Sentinel Rock Walk, que leva a um view point do belíssimo vale de Franz Josef Glacier 😃
O visual ficava ainda mais bonito quando saía um pouco de sol, realçando as cachoeiras e o gelo... Mas isso não durava mais que alguns segundos! A geleira em si é só a parte mais branca, à esquerda...
... Que ainda é impressionante, mas que por motivos diversos, infelizmente vem diminuindo num ritmo acelerado; pra que se tenha uma ideia, há apenas 10 anos ela chegava até o nível do vale, e estima-se que em no máximo mais 1 década ela suma de vez! 😞
Depois, fiz a 2ª trilha do dia, pelo próprio vale da geleira (onde tirei a foto de abertura do artigo). Mais uma vez, fui enganado pelo tamanho das montanhas: o caminho é mais longo do que parece, e é muito molhado - não só por causa da chuva, mas porque há inúmeros fios d'água cruzando o vale!
Tanto essa foto como a de cima foram tiradas no mesmo lugar (o limite máximo permitido de distância da geleira), com pouquíssimos minutos de diferença entre elas... Mais uma amostra de como o clima é ridiculamente volátil na West Coast! 😂
Voltei pra vila de Franz Josef, um dos únicos - e minúsculos - povoados de toda a West Coast, onde tive outra prova de que mesmo com tanta beleza, esse é um lugar quase esquecido do mundo: fiquei no que talvez fosse o único hostel de lá e ele tinha uns 40 quartos, mas só em 2 havia gente (um deles era o meu e tinha 4 camas, mas só a minha estava ocupada)! 😮

Na minha opinião, morar num canto tão remoto do globo deve ser horrível, mas viajar por esses confins da Terra é, sim, uma experiência única e incrível; é uma raríssima oportunidade de conseguir um profundo isolamento de tudo e ter contato direto com uma natureza realmente selvagem, no mais amplo sentido: intocada, exótica, deslumbrante, imprevisível, implacável... Na NZ, também tive essa sensação em alguns outros lugares, mas foi na West Coast que ela foi mais intensa!

Depois de dormir em Franz Josef Glacier, segui viagem rumo ao norte, até Hokitika Gorge. É mais um lindo rio com uma cor que também parece de mentira, mas não tãaao chamativo quanto as Blue Pools!
De lá, virei pro leste e, numa tarde, atravessei a Ilha Sul da NZ de costa a costa: almocei de frente pro Mar da Tasmânia, em Hokitika, cruzei a estrada de Arthur's Pass (cuja 2ª metade eu já conhecia), e GRAÇAS A DEUS cheguei são e salvo em Christchurch, onde jantei de frente pro Oceano Pacífico! 🙏

Minha derradeira semana morando na Nova Zelândia foi movimentada. Revi amigos e me despedi deles, me desfiz de algumas coisas (a principal foi o meu bom e fiel Mazda Premacy, que ao longo de vários meses me acompanhou no dia-a-dia e nas muitas viagens que fiz pelo país), e até tive uma última aventura indo praticar snowboard no Mount Hutt - mas esse é mais um dos "capítulos" que será tema de algum artigo futuro, em outra seção!

É difícil escrever algo sobre uma jornada tão longa e cheia de adjetivos. Um dia certamente vou fazer isso... Mas, bem, essa também não é a hora pra isso 😁

Uma das últimas fotos que tirei na minha louca jornada pelo outro lado do mundo... Valeu, NZ!!! 😃



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Até a próxima viagem! =)

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