quinta-feira, 23 de agosto de 2018

DIRETO DA ESTRADA - Uma Europa diferente (UCRÂNIA)


Caros viajantes!

Finalmente, chegamos ao 5º e último artigo DIRETO DA ESTRADA sobre a "URSS 2018"! 😃

Encerrada minha breve "participação" na Copa do Mundo FIFA, na Rússia, peguei um voo pra Kiev, a capital da Ucrânia. Eu já tinha lido coisas positivas sobre o país, como por exemplo ele ser muito barato, ter coisas bem bonitas e diferentes pra se ver, e haver poucos turistas (ainda mais desde que os russos e os ucranianos entraram em guerra no leste do país). Por conta disso, minhas expectativas eram altas... Mas será que elas seriam correspondidas? 😀

Holodomor: a maior atrocidade da qual você nunca ouviu falar
Falando em guerra, historicamente, países como a Polônia e a Ucrânia, que sempre tiveram seus territórios no meio do caminho entre o ocidente e o oriente europeu (e portanto entre grandes potências), são algumas das nações mais castigadas do mundo por causa de conflitos armados; desde as invasões mongóis há vários séculos, passando pela invasão nazista no século XX e pelos diversos problemas com a vizinha Rússia ao longo do tempo (inclusive atualmente), os ucranianos são um povo sofrido, com inúmeras e profundas "cicatrizes"... O que ajuda a explicar porque este é um país bem diferente da Europa.

Maidan Nezalezhnosti (Praça da Independência) é a principal de Kiev e ficou mundialmente famosa pelos enormes protestos contra o governo pró-Rússia em 2013/2014, que resultaram em mais de 100 mortos e na queda do presidente (que era aliado de Vladimir Putin e fugiu pra Moscou). O evento também acabou influenciando a invasão da Crimeia pelos russos, o que fez a atual crise diplomática e militar entre a Ucrânia e a Rússia se instalar de vez!
Panorama de Kiev
Mas antes de me aprofundar nisso, uma curiosidade inusitada: justamente pelo fato de Rússia e Ucrânia estarem em estado de guerra, todos os voos diretos entre os dois países foram extintos (mesmo eles sendo vizinhos e tendo milhões de cidadãos com dupla nacionalidade)! Por causa disso, tive que ir antes pra Minsk, capital de Belarus (ou Bielorússia), trocar de avião, e aí sim seguir pra Kiev... Bizarro! 😮

Registrando minha passagem nesse lugar sobre o qual meu pai me contava, mas onde eu nunca imaginei que pisaria um dia... Muito menos devido a um problema logístico com voos causado por uma guerra! Mas como não conto países em que só estive no aeroporto, Belarus ainda não foi riscado da lista 😁
Tantos conflitos armados e intervenções externas, no passado e no presente, constituem um dos fatores que explicam o porquê da Ucrânia ser bem diferente do resto da Europa; afinal, é óbvio que o povo, a economia e a infraestrutura de lá sempre foram e continuam sendo afetados por esses eventos, o que faz deste um país de 3º mundo em pleno continente europeu - pelo menos, para os padrões de lá.

A entrada do Memorial do Holodomor marca o período de 1 ano em que esse, que foi um dos maiores crimes cometidos contra a Humanidade em todos os tempos, aconteceu: um genocídio pela fome causado de forma intencional pelo governo soviético, contra o povo ucraniano (que se opunha ao regime de Josef Stalin, o maior tirano do século XX) ...
... Um fato pouco conhecido fora da Ucrânia, que sempre foi abafado devido à grande influência geopolítica da URSS (e na sequência, da Rússia). Esse monumento toca sinos em diferentes tons, lembrando as milhões de vítimas do Holodomor, mas cria uma atmosfera macabra - que só aumenta à medida que você passa por essa entrada subterrânea pra acessar o pequeno museu que existe ali...
... Lá, você assiste a um mini documentário sobre o Holodomor e há uma exposição de cartazes como estes, que ajudam a entender o que aconteceu. É muito chocante "descobrir" tudo isso, e mais chocante ainda é pensar que quase ninguém no mundo sequer ouviu falar dessa monstruosidade! 😮
Essa estátua da menininha desnutrida e com uma expressão terrivelmente triste me tocou dum jeito que não acontecia desde que eu visitei o campo de extermínio de Auschwitz, na Polônia... Que esses horrores jamais sejam esquecidos.
Até hoje, conheci 23 países na Europa e posso dizer: é claro que lá há diversos lugares que não são tão desenvolvidos, mas essa não é a regra. Numa avaliação geral, as nações europeias estão muito acima da maior parte do mundo (inclusive do Brasil, que infelizmente, em aspectos como violência, desigualdade social e educação, está, pra mim, entre os piores países de todos os 38 que eu conheço atualmente); na Ucrânia, não é diferente: não há favelas e você não anda na rua com medo de alguém meter uma arma na sua cara pra te roubar, porém, ao mesmo tempo, as coisas são velhas e mal conservadas (transportes, prédios, infraestrutura, etc. - vide o maior acidente nuclear do continente, que aconteceu nos anos 80 em Chernobyl), além de ser bem visível como quase todo o povo ucraniano passa perrengue e tem uma vida muito simples. Ou seja, esse aspecto meio "detonado" das coisas em geral realmente evidencia que o país não tem o mesmo grau de evolução e beleza que geralmente se encontra na Europa, e por essas e outras, minhas expectativas não foram totalmente correspondidas... Mas chegou perto! Além disso, de qualquer forma, foi interessante conhecer esse outro "lado" do continente 🙂

No topo da Andriyivsky Uzviz - uma rua histórica, íngreme e bem pitoresca de Kiev - fica a bonita Igreja de Santo André. Esse cenário me lembrou bastante a nossa Ouro Preto (MG), mas com um toque ortodoxo! Hahaha
Teatro de Ópera da Ucrânia, no centro de Kiev
Catedral de Santa Sofia, a principal de Kiev
Na realidade, eu já tinha visto um pouco das coisas que falei no parágrafo anterior na Rússia, país com o qual a Ucrânia tem, naturalmente, muitas semelhanças - as quais são, também, características que tornam esses lugares bem diferentes do restante da Europa: o cristianismo ortodoxo, a arquitetura soviética, o alfabeto ucraniano (que é uma variante do cirílico original), a rudeza do povo (os caras também são grossos e muito malandros!), etc. Só evite fazer esse tipo de comentário com um ucraniano, porque exceto por aqueles que têm origem russa (cerca de 20% da população), todo mundo lá tem aversão ao país vizinho e seu povo... Mas convenhamos: razões pra isso não faltam 😕

Tá vendo como lembra a Rússia? À esquerda, um exemplo da sempre imponente arquitetura soviética; à direita, maaais uma grande igreja ortodoxa (no caso, o Monastério de São Miguel)
Vendo o colosso mais de perto
Algumas das esculturas impressionantes que fazem parte do complexo do Museu da Grande Guerra Patriótica, que conta a história da Ucrânia na 2ª Guerra Mundial e fica no meio de um parque...
... Onde também fica o GIGANTESCO Monumento da Pátria-Mãe - que, pra variar, também é dos tempos da URSS!
Ortodoxos rezando no fantástico (mais por dentro do que por fora) Monastério de São Miguel
Em relação às atrações ucranianas, devo dizer que, pra quem vai pra Rússia antes (como eu tinha feito), o país não chega a impressionar no mesmo nível; há sim lugares bem legais, Kiev é uma cidade com bastante verde, e o fato de tudo ser tão diferente pra gente já é em si um grande atrativo, mas é inevitável olhar pra muitas coisas lá e pensar: "na Rússia era ainda mais bonito/grande/suntuoso/antigo/etc."... No entanto, como você pode ver, mesmo assim não faltaram momentos em que eu fiquei boquiaberto! 😃

No mesmo lugar da foto que abre o artigo: o belíssimo Mosteiro das Grutas (Petchersk Lavra)! Dá pra ver que uma coisa que não falta em Kiev são cúpulas douradas, né? 😃
Chegando pela lateral no altar da principal igreja do Mosteiro das Grutas, olhando ele de frente e...
... Olhando pra cima! MEU DEUS!! 😮
Mas o que realmente fez a visita à Ucrânia valer a pena foram os preços. Como esse é um país pobre (mais uma vez: para os padrões europeus!), distante (idem) e ao menos teoricamente em guerra (o que afasta os turistas mal informados - que são a maioria), qualquer um com dólares, euros ou mesmo rublos faz a festa por lá! Todas as coisas são incrivelmente baratas, e mesmo um mochileiro como eu pode aproveitar muito disso: por exemplo, eu fiquei no melhor hostel de Kiev, numa suíte só pra mim, pagando menos de € 15 por noite; me transportava quase de graça, mesmo quando pegava táxi; comi em alguns dos melhores restaurantes da cidade, gastando o que nem em sonho eu conseguiria gastar em qualquer outro país da Europa (ou mesmo do Brasil), se fosse num lugar equivalente; bebi dentro das baladas pagando menos do que se eu comprasse as mesmas bebidas em supermercados brasileiros; e assim por diante! 😃

Esse belo edifício é o Arena City, o principal shopping de Kiev. Além das lojas, há ótimos bares, restaurantes e até baladas! 😃
A Ucrânia já é muito barata, e como Kiev era praticamente a última parada da viagem e havia sobrado bastante dinheiro dos outros países, eu "chutei o balde"! Hahaha... O ápice foi um almoço inesquecível no premiado restaurante Kanapa, onde provei o menu degustação com SETE pratos super elaborados da melhor comida ucraniana (incluindo alguns com caviar e ostra)! Tudo isso mais as bebidas, sobremesa, café exótico e gorjeta saiu pelo equivalente a... US$ 41. Inacreditável!! 😃
E não é que deu praia (de rio) na Ucrânia?! Já com tudo visto, tirei um "quase day-off" antes do longo caminho da volta: primeiro, almocei no Kanapa; depois, aproveitando o forte calor, fui para o Hydropark, que é um parque-ilha com praias fluviais, no meio de Kiev! 😎



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E depois de 3 semanas inteiras e extremamente intensas, era hora de voltar pra casa. De Kiev, atravessei a Europa voando pra Madrid (Espanha), onde cheguei tarde e dormi num hotel próximo ao aeroporto. Como eu já tinha conhecido a cidade alguns meses antes (confira aqui!), preferi seguir logo para o Brasil, a tempo de poder descansar uns poucos dias antes de voltar ao trabalho, e também de curtir melhor a Copa do Mundo (afinal, enquanto eu viajava era muito difícil conseguir ver os jogos)... Então acordei poucas horas depois, voltei ao aeroporto e finalmente embarquei para o Brasil, encerrando a URSS 2018! 😃

Aeroporto de Barajas, na capital espanhola (onde a viagem também tinha começado - daqui eu tinha ido pra Lituânia, mas naquele dia, sem sair do aeroporto)!
Como escrevi num post no Instagram do CM, quando eu voltei:

E mais uma grande aventura - a "URSS 2018" - chegou ao fim!! Foram 6 novos países pra conta e, como sempre, muitos lugares, experiências, pessoas, reencontros e histórias pra lembrar pelo resto da vida! Além do pulo que dei na Escandinávia, pelo 3º ano seguido viajei por países do Leste Europeu (nunca repetindo-os), e posso tranquilamente dizer que essa é a minha região favorita no mundo: são todos destinos baratos, incrivelmente únicos (cultura, paisagem, povo, comida, arquitetura, língua, etc.) e MUITO bem preservados! Sem contar, é claro, a passada pela sempre divertidíssima Copa do Mundo ⚽... Gratidão por tudo isso!! 😃🙏

Até a próxima viagem! =)

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