sábado, 26 de agosto de 2017

UMA LISTA - Os 10 maiores PERRENGUES em viagens... (pt. 2)

Calma, as hélices não pararam e o avião não está caindo! Foi só pra começar essa 2ª parte com uma imagem semelhante à da 1ª... 😂 Aqui, é o Golfo da Tailândia ficando pra trás, depois dos 2 dias mais extenuantes da minha vida 😞
Caros viajantes!

Conforme prometido, hoje eu trago a continuação do artigo UMA LISTA - #04 (pt. 1) - Os 10 maiores PERRENGUES em viagens... 😂

Curiosamente, ele foi um dos posts mais acessados desde que o blog foi criado... O que confirma a tese de que, no fundo, todo mundo acha graça da desgraça alheia mesmo!! Hahaha...

Então, se você quer dar mais umas risadas com as situações tragicômicas ou mesmo com os sustos mais sérios, aí vai a 2ª e última parte da lista com os 10 maiores perrengues que já tive em viagens, também organizada em ordem cronológica:

6 - SALVO POR SÃO PEDRO: Eu tinha passado o dia nos Museus do Vaticano e, no fim da tarde, fui conhecer uma das construções mais magníficas do mundo: a Basílica de São Pedro! Na hora de passar pela segurança, esvaziei meus bolsos e achei que tinha algo faltando... CADÊ MEU PASSAPORTE??!! Gelei, até porque eu viajo com passaporte italiano e sequer tenho um brasileiro! O que eu teria que fazer então? Ir à delegacia? Mas como iam acreditar num "italiano" que, na época, não falava quase nada de italiano? E o tempo que isso ia me custar?! Apesar disso, tentei manter a calma pra poder visitar a Basílica, já que eu tinha passado um tempo na fila. Dei uma volta lá dentro, me maravilhei, mas o nervosismo acabou me fazendo ir rápido e deixar pra visitar tudo com calma num outro dia. Antes de sair fiz uma prece - e claro que incluí um pedido pra encontrar meu passaporte! Hahaha... Eu tinha quase certeza que não tinha sido roubado, porque estava com uma bermuda com zíper nos bolsos. Só que eu sou MUITO distraído. Então, provavelmente eu tinha tirado ele em algum momento e o esqueci em algum lugar! Voltei correndo ao restaurante em que eu tinha comido. Nada. Fui até a loja de souvenirs em que eu tinha passado. Nada. Concluí que eu devia ter deixado o passaporte no balcão da bilheteria do museu, quando o tirei pra apresentar. Mas à essa altura, já estava tudo fechado, e pra piorar, no dia seguinte o Vaticano não abriria! O jeito foi ir falar com um guarda suíço (aqueles caras que usam uma roupa engraçada) na Praça de São Pedro, e explicar a situação. Ele mandou eu ir até um portão do Vaticano, pra falar com um colega dele. Pra minha surpresa, esse outro guarda falava português, amava o Brasil e foi muito prestativo! Disse que me liberaria pra entrar no interior do Vaticano, pra que eu pudesse ir até a Gendarmeria. Com isso, acabei conhecendo uma parte do menor país do mundo que é fechada para os turistas (eles só podem ir nos Museus e na Basílica)! Quando cheguei lá, me levaram até o setor de achados e perdidos, que era EXTREMAMENTE organizado, e me disseram "todos os dias, centenas de coisas são perdidas no Vaticano"... Aí pediram meu nome e voltaram com uma pasta que já tinha todos os meus dados, com o meu passaporte dentro!! Fiquei tão aliviado que exclamei "GRAZIE A SAN PIETRO!", e o guarda suiço respondeu na hora: "No, grazie a noi"!! Hahaha... Pra comemorar e dar uma relaxada, comprei uma cerveja e fiquei sentado no meio da Praça de São Pedro, vendo o sol se por 😄

Um brinde à Guarda Suíça e a São Pedro (na praça dele!), que me ajudaram a achar meu passaporte italiano perdido... GRAZIE A DIO. Salute!!

7 - VOO ATRASADO, VIAJANTE ESTRESSADO: Uma lista de perrengues em viagens não seria completa sem uma história de voo atrasado que acabou ferrando o viajante em alguma coisa! No caso, eu estava em Manila (Filipinas) e tinha um voo pra Bangkok (Tailândia), por volta das 21h. Eu ia chegar antes da meia noite e dormir num hotel ao lado do aeroporto, porque na manhã seguinte teria que ir para o outro aeroporto da cidade e finalmente pegar um voo pra Yangon (Myanmar), que era a parte mais esperada da viagem (saiba porque aqui!). Porém... Eu já estava na sala de embarque, quando anunciaram que o voo sairia com atraso de 1h. Depois, mais 1h. De novo. E de novo. No fim, decolei 4 horas depois do planejado. É muito difícil eu dormir em avião, e pra piorar, era uma companhia low cost com aqueles assentos bem desconfortáveis. Passei o voo todo acordado e esfomeado (não deram nada pra comer!), ainda tive que andar muito no imenso aeroporto de Bangkok e, pra completar, peguei um táxi em que, é claro, o motorista me sacaneou (depois, ao voltar pra Bangkok, eu constatei que todo mundo lá tenta te dar pequenos golpes o tempo todo)... Ele cobrou cinco vezes mais do que deveria e não falava nada de inglês (ou fingia que não falava), mas eu estava cansado demais e com o saco muito cheio pra brigar, então paguei. Consegui deitar na cama às 5 da manhã e tive que levantar às 7 pra seguir viagem. Já não bastasse isso, eram meus primeiros dias na Ásia e eu ainda estava bem afetado pelas 10 horas de diferença do fuso, então imaginem o meu estado quando cheguei em Yangon... Pior que eu só teria aquele dia e o seguinte pra conhecer a cidade (que é cheia de atrações), então não tive escolha: fui pra rua mesmo assim, me arrastando! Pelo menos, fui compensado com o esplendor da construção mais magnífica do mundo, que me tomou todo esse primeiro dia e parte da noite também! 😃

Os óculos escuros são para o sol, para o brilho do ouro do pagode (templo budista) Shwedagon e para as OLHEIRAS causadas pelo meu perrengue filipino-tailandês-birmanês! 😂

8 - NO LIMITE DA EXAUSTÃO: Essa foi na mesma viagem do item anterior. Mesmo depois de me adaptar ao fuso, meu estado de cansaço não mudou muito; eu cometi um erro que serviu de lição, pra não repetir mais: planejei uma viagem longa demais (1 mês ininterrupto) para o ritmo insano em que eu costumo viajar, que é acordar cedo, passar o dia todo e parte da noite andando MUITO (pra conseguir conhecer o máximo de coisas possível), e a cada 2 ou 3 dias me deslocar pra outro destino. Na Ásia, ainda tiveram agravantes: fuso horário maluco, calor fortíssimo, todos os trechos foram de avião (muito tempo é perdido com isso) e em algumas cidades, nós (eu e meu primo) ainda saíamos à noite. Na 3ª semana já estávamos exaustos, e aí tivemos um dia realmente de cão: acordamos bem cedo em Kuala Lumpur (Malásia); viajamos até o aeroporto, que fica bem longe da cidade; esperamos o voo; embarcamos; descemos em Surat Thani, no interior da Tailândia; espera; mais 3 horas num ônibus zoado; mais espera; ferry boat até Koh Pha Ngan, com escala em Koh Samui; fomos para o hostel, onde descobrimos que, mesmo com uns 35º C, colocaram a gente num quarto sem ar condicionado, sem janela e com uma única cama de viúva, pra nós dois dividirmos!! Totalmente sem condições... Pra piorar, tanto o hostel quanto a própria ilha estavam lotados, por causa da famosa Full Moon Party. Por "sorte", achamos um hotel (bem mais caro) na internet, ali na hora, e encaramos mais uns 40 minutos numa caçamba de caminhonete - em ruas de terra - pra chegar lá. Conseguimos nos acomodar umas 21h, sendo que o dia tinha começado às 7 (fora o cansaço acumulado de 3 semanas viajando como loucos). E ainda tinha a festa pra ir... Obviamente, aproveitamos bem pouco. E de novo, quase não dormimos, pra podermos ir, na manhã seguinte, para o maravilhoso arquipélago de Ang Thong - que foi o que salvou essa etapa da viagem! O duro foi fazer o passeio tão extenuado e ainda passar mal no barco - quando acabou, eu estava MORTO! Mas pelo menos a beleza do lugar compensou 😊

O "amor" pela festa ficou só no colete mesmo...

9 - DORMINDO NUM CHIQUEIRO: Depois da lição da Ásia, eu diminuí a viagem seguinte pra 3 semanas. Mas no fim, concluí que o máximo, nesse ritmo super intenso, tem que ser 15 dias. Na 3ª semana de viagem pela Europa, eu e meu brother já estávamos muito cansados, e o tempo, que até então estava bom, ficou bem feio. Passamos uma noite ruim num barulhento e instável trem noturno entre Praga (Rep. Tcheca) e Cracóvia (Polônia), onde chegamos às 7 da manhã, quebrados. Fomos andando, no frio e na chuva, para o hostel. Chegando lá, nos disseram que eles estavam em obras emergenciais no prédio e cancelaram nossa reserva... Aí nos mandaram pra um party hostel (coisa que à essa altura a gente já não estava nem um pouco afim) da mesma rede, mas nesse novo lugar, só tinha quarto pra 6 - e nós tínhamos reservado um pra 2. Não estávamos com saco de ir procurar outro lugar e nem com tempo pra perder, porque só tínhamos aquele dia pra conhecer a cidade (no outro íamos pra Auschwitz e Wieliczka). Então aceitamos a contragosto. Mas quando foram nos levar até o quarto, já começamos a sentir um cheiro ruim desde o corredor... E quando entramos, a impressão foi a de que uma bomba tinha caído ali! Havia coisas jogadas por toda parte e um fedor insuportável no ar. E a janela não abria! Enquanto meu amigo ria do tanto que a gente estava se ferrando, eu localizei a principal fonte daquele cheiro horrível: era uma toalha que estava pendurada na minha cama. O dono dela devia estar viajando há 6 meses, usando a mesma toalha e nunca tinha lavado aquilo!! Joguei ela numa sala do hostel e saímos pra passear. À noite, conhecemos nossos room mates (incluindo o dono da toalha, que não gostou nada de eu ter tacado aquilo pra fora do quarto): um bando de australianos bêbados, porcos e barulhentos. Precisa dizer como foram as duas noites que passamos ali? 😞

Nossa cabine no trem noturno Praga - Cracóvia. Mal sabíamos nós que ela seria um hotel 5 estrelas perto do perrengue que nos aguardava na Polônia!! 😂

10 - UM DIA DE M****: Berlin (Alemanha) foi a última cidade que visitamos na mesma viagem do item anterior, e acabou sendo a que menos gostamos (mas isso não quer dizer que achamos ruim). O problema foi que, além da exaustão física que eu expliquei, o clima também estava como em Cracóvia, e pra completar, tivemos um dia "daqueles" no meio da estadia... Tudo isso acabou influenciando nosso humor e, consequentemente, na nossa avaliação da cidade. No caso, fomos conhecer o Parlamento Alemão, e enquanto eu tirava fotos, uma criança aparentemente de rua veio falar comigo. Me mostrou um formulário em inglês, bem feito, que pedia assinaturas pra que o governo construísse um centro de atendimento pra pessoas deficientes. Naturalmente, assinei. Nisso, ela acenou pra família dela, que estava olhando de longe (eu não tinha percebido), e todos vieram até mim. Eram ciganos - uma velha e cinco ou seis crianças e adolescentes. Todos começaram a falar comigo ao mesmo tempo, pedindo dinheiro pro tal centro. Fiquei negando, mas eles não iam embora. Dei umas moedas pra menininha que me abordou, mas aí começaram a reclamar que a doação mínima era de 5 euros (como se eu fosse obrigado!!)... Falei que eu só tinha uma nota de 10 e não ia dar, mas a velha disse que me daria 5 de troco. Pra pararem de me encher, fiz a menina me devolver as moedas, dei os 10 e quando fui pegar os 5 da velha, ela puxou a nota de volta! No mesmo instante, outra menininha, de no máximo 5 anos, meteu a mão na minha carteira, que eu estava segurando na outra mão!! Fechei ela na hora, mas aí eles saíram todos correndo, com a minha nota de 10 euros. Demorou um pouco pra eu entender que raios estava acontecendo, até que percebi que eu tinha sido vítima de um golpe todo planejado... Depois encontrei um policial em outro lugar e contei o que tinha acontecido, só pra avisar que haviam ciganos dando golpes nos turistas no Parlamento. Quando estávamos saindo, ele me fez voltar e disse que eu não poderia ir embora porque a queixa tinha que ser formalizada! Eu falei que não queria, mas ele disse que era a lei alemã e não me liberou! E a gente teria que esperar o chefe dele vir numa viatura, pra escrever tudo... Tomamos um belo chá de cadeira por causa disso, pra no fim ouvir: "Desculpe, esse procedimento não serve pra nada, mas somos obrigados a fazê-lo"... "Coroando" tudo, fomos numa balada à noite e o segurança barrou nossa entrada, simplesmente porque não foi com a nossa cara! Tínhamos lido que isso é comum em Berlin, mas não esperávamos que fosse acontecer com a gente... Nunca tinha passado por isso, e garanto que dá muita raiva!!

O "recibo" do "boletim de ocorrência" que fui OBRIGADO a fazer na polícia alemã... Aham, entendi tudo!! 😡

Até a próxima viagem! =)

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