segunda-feira, 19 de junho de 2017

MINI GUIA / FORA DA ROTA - Uma fábula medieval chamada SAN MARINO

Caros viajantes!

Aproveitando que já publiquei o MINI GUIA #01 e o FORA DA ROTA #01, hoje resolvi fazer um post "2 em 1", que, tratando de um destino inédito, unirá os dois tipos de artigo e será o #02 tanto de uma seção quanto da outra! 😃

Sempre fui aficionado por mapas. Eu realmente curto saber onde estão os países no globo, as suas cidades, onde ficam os pontos turísticos, as particularidades de cada um, etc… E algo que sempre me intrigou são os “mini países”: aqueles que nunca aparecem na mídia, e que a maioria das pessoas sequer sabe que existe. Como funciona uma nação com tão pouco território e tão pouca gente? Será que elas têm uma cultura própria, ou são meras reproduções de seus vizinhos “grandões”? Perguntas como essas sempre atiçaram minha curiosidade…

Quando fui pela primeira vez à Itália, vi a viagem como uma oportunidade de ouro pra matar não dois, mas três coelhos com uma cajadada: além de conhecer as belezas da Velha Bota (sim, eu também sou “gente” e fui explorar dez cidades italianas 😄), eu poderia, finalmente, “descobrir qual é” a do Vaticano e a de um outro “mini país” que também fica “dentro” da Itália, mas que é muito menos conhecido, menos visitado e tem acesso bem menos simples: a Serenissima Repubblica di San Marino!

Castello della Guaita, o maior símbolo de San Marino e uma das três fortalezas retratadas na bandeira nacional
Primeira curiosidade: sim, é esse mesmo o nome oficial do Estado sammarinese. Outras peculiaridades de lá: o território, de apenas 61 km² (bem menor que a grande maioria das cidades brasileiras!) faz de San Marino o 5º menor país independente do mundo; porém, a população local, de apenas 30 mil habitantes, goza de níveis sociais de “gente grande”: o IDH e a renda per capita locais estão entre as mais altos do planeta. Outro dado importante: você sabe qual é a república mais antiga do mundo? Pois é… A de San Marino foi estabelecida no ano 301 d. C., e desde então se manteve firme e forte – algo que orgulha (e muito) o seu simpático povo.

A certa falta de informação disponível sobre o país, bem como a certa dificuldade que existe pra chegar lá, sem dúvida são fatores que contribuem para o “ostracismo” do Estado sammarinese. Provas exemplares disso são o meu próprio livro-guia de viagem da Itália, que embora enorme e completíssimo, não dedica mais que meia página a San Marino, além do fato de que, segundo dados do governo local, 85% dos turistas que entram no país são italianos. Por outro lado, esses mesmos fatores também acabam sendo ingredientes para tornar a surpresa ainda maior! 😃

San Marino é uma nação que fica em torno de uma montanha (o Monte Titano), sendo que a capital, Città di San Marino, fica no topo. Não há litoral, pois todo o território é cercado pela Itália. Também não há aeroportos, nem estações de trem (a única linha que ligaria o país ao exterior começou a ser construída pelo ditador italiano Benito Mussolini nos anos 30, mas nunca foi concluída). Assim, o único jeito de chegar a San Marino é de carro ou de ônibus, que nesse último caso saem da cidade italiana de Rimini, no litoral do Mar Adriático. O que encomprida ainda mais a viagem é que não há nenhuma cidade grande na região (nem mesmo Rimini é), então se você for um mochileiro como eu e estiver viajando de trem, é necessário ir antes para Bologna, no centro-norte da Itália, e de lá pegar uma linha secundária para Rimini – sendo que, para ir embora, você terá o caminho inverso pela frente. No meu caso, isso significou um deslocamento meio inconveniente, porque em tese, de San Marino a Firenze (minha próxima parada na viagem) seria só uma curta linha reta; no entanto, precisei fazer um “V” invertido, indo primeiro pra Bologna, e de lá seguindo pra Firenze…

Apesar disso, não dá pra reclamar. A Itália é um país de primeiro mundo, e seus transportes não deixam por menos: os trens são modernos, confortáveis e pontuais, e as belas paisagens que são vistas durante as viagens as tornam ainda menos cansativas. Além disso, Rimini é uma cidade de praia bem legal, com muita gente jovem e boas baladas. Portanto, todo esse “sacrifício” pra conhecer San Marino vale a pena! 😃

Apenas 1 dia é suficiente para explorar bem o Estado sammarinese. Isso porque na realidade, a parte mais interessante do país se resume à capital, que fica na metade superior da montanha; as outras cidadezinhas, ao pé dela, na prática são pequenos bairros mais modernos, onde a maioria da população local vive e trabalha e nas quais não há grandes atrações.

Existe uma estrada que leva a uma das entradas da Città di San Marino, de onde só é possível prosseguir a pé – sim, San Marino certamente tem a única capital do mundo em que não há circulação de veículos! Mas atualmente, há um jeito mais legal de chegar lá: pare antes, em Borgo Maggiore (uma das cidadezinhas ao pé da montanha), e pegue o bondinho teleférico! A subida é rápida (bem menos extensa que a do bondinho do Pão de Açúcar, no Rio, por exemplo), e de dentro dele já é possível ter as primeiras – e lindas – vistas panorâmicas de San Marino.

Subindo de bondinho teleférico para a Cittá di San Marino!
Chegando na Città, pegue um mapa da cidade no centro de informações turísticas, ao lado do bondinho, e saia andando pra explorá-la, sem medo de ser feliz. Como o lugar é pequeno, é difícil se perder, mas caso isso aconteça, aproveite! Assim como Veneza, na Itália, Città di San Marino é uma das poucas cidades do mundo em que se perder é bom, pois só o fato de sair das vias principais e andar sem rumo pelas ruazinhas menores, com menos gente, já é uma experiência extremamente interessante; a sensação de volta aos tempos medievais fica ainda mais intensa, e de repente você pode se deparar com uma vista sensacional, ou então uma casinha que faça você querer morar ali pra sempre…

Quem não gostaria de morar numa casinha sammarinese? 😃
As seculares construções da cidade, bem como seus jardins, são tão bem preservados, que há momentos em que você se pergunta se tudo aquilo é real… Parece até um conto de fadas, e a qualquer momento você acha que vai cruzar com um dragão ou uma princesa encantada! Hahaha...

Parece até um cenário, mas é a capital de San Marino!
... Mas o mais incrível, talvez, seja reparar no jeito em que a cidade foi construída (e no trabalho que isso deve ter dado)… Ali você está na parte mais alta de uma montanha, que não te deixa esquecer que é bem íngreme porque a toda hora há escadas e ladeiras para ir de um ponto ao outro da cidadela!

Ladeiras e mais ladeiras...
Após visitar os pontos mais famosos na parte inferior da Città, como a Cava dei Balestrieri (um anfiteatro) e a Piazza della Libertà (onde fica a igreja principal e o Palazzo Pubblico, o prédio do governo), uma boa ideia é sentar em algum dos agradáveis cafés ou restaurantes locais e, assim como é praxe na Itália, fazer uma refeição excelente. Minha sugestão é o Scaloppine alla Sammarinese, um delicioso prato com queijos derretidos e funghi, acompanhado de pão tradicional e uma taça de vino della casa, que é o vinho próprio do estabelecimento (sempre é bom e mais barato que os “de marca”)!

Piazza della Libertà, a principal praça de San Marino, com o prédio do governo do país ao fundo
Depois, siga até o limite da cidade (impossível não achá-lo, pois a Città é toda cercada por uma grande muralha), e, andando em cima dela, inicie a subida até o Picco della Rocca. Ela é cansativa, mas a vista vai ficando cada vez mais bonita e isso serve de incentivo para continuar! 😃

Quase terminando a subida até o topo da montanha... Ufa!!
Lá em cima, você vai se deparar com o Castello della Guaita. Construído no século XI, é a principal fortaleza de San Marino – são três no total, e só uma outra também é aberta à visitação (a Cesta, do século XIII). Na base da Guaita há um jardim com uma barraquinha onde é vendido o Idromele, a bebida nacional feita com mel, gengibre e ervas. Lembra um pouco o nosso quentão, mas é tomado à temperatura ambiente… E me pareceu ainda mais forte! 😃

O "shot" de Idromele e grátis! 😄
É permitido andar por dentro da torre, que guarda um pequeno museu, antigas celas de prisioneiros e alguns terraços, de onde se têm as vistas mais espetaculares de San Marino. Não é pra menos, pois este é o ponto mais alto do pequeno país; dali é possível avistar as outras fortalezas, a floresta que cobre um dos lados do Monte Titano, e, lá embaixo, as cidadezinhas sammarinese e os campos e o litoral italianos ao fundo, com o Mar Adriático se encontrando com o céu. Tudo isso acompanhado de música medieval, que fica tocando como um som ambiente no local e faz a experiência de imersão na Idade Média ser ainda mais intensa!

Que vista! 😃
Não dá vontade de ir embora. San Marino é uma surpresa linda, tranquila e que ainda não foi descoberta pelo turismo de massa. Caso você queira ficar, há hotéis na cidade velha (mais caros) e um único hostel que fica em Borgo Maggiore. Mas, se fizer como eu e for embora no mesmo dia em que chegou, aproveite para descer a montanha fazendo um caminho diferente por dentro da cidadela, terminando de explorá-la!



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Até a próxima viagem! =)

2 comentários:

  1. Morei em Rimini por 2 meses e visitei San Marino em um sabado.. realmente, incrivel!! Eu curti demais e foi sem duvidas uma das day-trips mais legais que ja fiz. Me imaginei morando la!

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